Princepe Encantado

O monstruoso relógio de sala proclama as doze badaladas, canta a meia-noite fria e despida, que tu danças sem fim. Tu que és rei da noite, que abominas a escuridão. Tu que és o princepe da lua, que vestes o orgulho que conservas. A madrugada atrai-te, alicia-te a aventurar por aquilo que desconheces. O fogo consome a ponta do teu cigarro, e consome a tua alma arrebatada pelos jogos que perdeste. Sobes tão alto no teu pedestal e nem consegues ver o quão frio és, o quão vitorioso te achas no meio de todos os medos que em mim semeaste. Deleitas-te no prazer que tens em enganar as pessoas, no prazer de quebrar promessas e de jurar o impossível. Sempre me contaste verdades forjadas, quando a tua real intenção era expor as mentiras de uma forma dissimulada, que me cegasse para não ver o quão falso eras. Foges da realidade, e engoles o arrependimento que nunca encaraste. Apenas consideras o teu ego cheio de sorrisos falsos, o teu ser revoltado e egoísta, a tua alma gelada pela solidão em que te viste a chorar por mim (...) Tu, que agora não tens nada, que vives alimentado pelas recordações que te deixei. Tu que és sedento da minha miséria e cego pelo meu amor. Tu que preenches o silêncio negro da nossa história e ris das cartas que te escrevi.  Relembras o que fizeste por mim, afogas-te em lágrimas e gritas pelo meu nome. Mas vá, agora cala-te idiota, o princepe encantado já não és tu. 

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