Volta


A ausência das tuas palavras, a presença do teu fugir, a razão do nosso ser, o toque leve das nossas mãos, o penetrar dos nossos olhares enfeitiçados, o entrelaçar enfraquecido dos nossos pequenos dedos, os laços que criámos numa outra hora em que reflectíamos felicidade no mais simples gesto que criávamos, o nosso castelo onde um dia reinámos lado a lado e que sempre se manteve imponente perante a inveja alheia, ruíram. E para ti parece que foi tão fácil. Tão fácil largar-me a mão, foi tão fácil o último adeus que prometeste não existir, foi tão fácil ouvir a última palavra sair da minha boca que te dizia para nunca voltares, esperando que não acreditasses .  No meio das confusões da minha cabeça, eu continuo a pensar em ti.  No meio dos destroços do que construímos vagueio agora sozinha a usar a coroa da verdade que um dia me ofereceste, apenas acompanhada por memórias que com o tempo esqueceste, conduzida pela melodia do nosso passado, arrepiada pela quantidade de suplicações que te fiz  pelo passado que deixámos morrer junto do nosso orgulho idiota que prevaleceu.  No silêncio do meu quarto choro por todas as nossas vitórias,  grito pelos nossos sonhos perdidos e enlouqueço com todos aqueles sorrisos estúpidos que fiz por ti. Na escuridão dos meus pesadelos tento-te dizer adeus, tento deixar-te partir e largar-te a mão de uma vez por todas. No meio dos meus medos, continuo apavorada de te ver chorar. No meio dos meus segredos, eu escondo as saudades que tenho tuas. Escondo a história mais fria que vivemos, escondo a falta que me fazes e o vazio que deixaste.  Escondo este vaivém de solidão em que me embalas, escondo o silêncio com que me falas, e os gritos com que te ausentas. Escondo o teu sorriso que me perturba a razão, escondo as tuas feições perfeitas que revejo nas nossas fotografias rasgadas. E sim, talvez o meu orgulho fale mais alto que tudo o resto, talvez ainda continue a olhar para trás à espera de te ver a correr na minha direcção, talvez ainda te queira ouvir a chamar o nome, talvez continue a sonhar com todas as noites contigo, como a única maneira de te sentir sentado ao meu lado,  de sentir os teus braços envoltos no meu corpo gélido, de te abraçar ao pôr do sol como fazíamos. Talvez agora seja tarde demais para te suplicar que voltes, talvez seja cedo demais para me desculpares, talvez seja impossível recuperarmos aquilo que perdemos. E eu a este ponto não quero que me respondas, só te quero de volta, porque afinal de contas és aquele que me ensinou a amar de verdade. E foram 2 anos, 2 anos a fazeres-me sorrir.  Prometo que vai ser diferente desta vez

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